Começando com um teste puxado
Foi iniciado mais um Teste dos 100 Dias e o novo Ford Focus 1.6 16V Sigma já enfrentou um verdadeiro desafio: rodar de Santo André (São Paulo) até Florianópolis (Santa Catarina) no Carnaval. Considerando o percurso até a ilha catarinense, o que rodamos por lá e a volta, o hatch registrou uma distância de nada menos que 1.945 km.
Depois de já ter dirigido o Focus 2.0 16V, a expectativa pela experiência com a nova motorização lançada pela Ford no fim do ano passado era grande. Apesar de a potência ser menor, com “apenas” 115,6 cv (a 5.500 rpm, abastecido com etanol) contra os 145 cv (a 6.000 rpm com gasolina) da versão 2.0, o Sigma tem como grande atributo a utilização de novas tecnologias e o uso do alumínio em sua construção, o que deixa o carro consideravelmente mais leve.
A hora do tira-teima
O modelo foi buscado na Ford no fim da tarde de sexta-feira (12 de fevereiro), quando já passou por um mini-teste até Santo André: um trânsito de aproximadamente 40 minutos para rodar menos de 15 km. Nessa situação, a sensação foi de que o carro está bem acertado para a cidade. Apesar de não ter um leão dentro do capô, está bem justo. Repito: nessa situação.
Hora, então, de colocar quatro pessoas no carro, bastante bagagem (quatro malas grandes e outras menores, sacolas, violões etc). Aí, o 1.6 começou a suar. O começo do roteiro incluía uma descida até o litoral para, em seguida, seguir viagem no sentido sul do país. Para quem pergunta se os 30 cv a menos do Sigma fazem muita falta, a resposta é não. O carro tem um comportamento não tão comprometido em relação ao 2.0. Mas na hora de subidas, ultrapassagens, quando você precisa de um pouco mais de força, aí você se lembra do que tem em mãos. Não chega a ser algo desesperador, mas falta-lhe uma quantidade considerável de força. Vale lembrar que o torque do modelo que está sendo testado no momento é de 16,2 kgfm, contra 18,8 kgfm da versão superior. São 2,6 kgfm bem sentidos na hora de pressionar o acelerador em estradas ou na serra.
O trânsito fluiu bem, com médias de 90 km/h a 120 km/h, sem problemas. Como uma das novidades do modelo é o fato de ele ser flex, preferimos fazer a viagem até Florianópolis com o tanque abastecido com etanol (andamos 848 km com esse combustível) e a utilização no local e o retorno com gasolina (mais 1.097 km). Mesmo sem tráfego, o consumo médio mostrado no painel do Focus foi de 8,1 km/litro. O auge foi 8,4 km/litro. Isso, quando abastecido com álcool. Na volta, a média rondou os 12 km/litro, já com gasolina.
Conforto
Ponto positivo para o hatch da Ford. Todos os que passaram pelo assento traseiro ou do passageiro soltaram frases como “nossa, este banco é bom, hein?”. Tudo bem, não havia muito aperto, já que eram dois passageiros no banco de trás, e não três. Mas, mesmo assim, com estaturas de cerca de 1,80 m, todos aprovaram. “O joelho não chega a encostar no banco da frente. O espaço para as pernas é bom. A cabeça não pega no teto. Resumindo: gostei, é bem confortável”, respondeu um dos viajantes, quando perguntado sobre o assunto.
Para o motorista, outro ponto positivo. Mesmo em uma viagem tão grande, quem está no comando do carro não sente muito cansaço. A possibilidade de ajuste de altura do banco, além das adaptações de altura e profundidade do volante, dão uma ajudinha para que a posição fique ainda melhor. “Encaixado”, o motorista pode viajar o quanto for que dificilmente sentirá algum desconforto nas costas, nas pernas ou nos braços, por exemplo.
De uma forma mais indireta, a suspensão ajuda muito a sensação de conforto e de segurança do carro, melhorando a dirigibilidade. A dianteira é independente, do tipo MCPherson, com barra estabilizadora. A traseira, porém, é o grande destaque: também é independente, do tipo Multilink, com barra estabilizadora. O carro fica realmente na mão do motorista e preso ao chão mesmo em velocidades mais altas.
O câmbio tem encaixe preciso e uma relação boa de marchas. Foi considerado, por mim e pelo Rafael Miotto (da Revista MOTOCICLISMO, que também participou do teste até Florianópolis) um dos pontos altos do modelo.
Três detalhes, porém, acabam fazendo com que o quesito conforto não fique com nota 10. Primeiramente, o descansa-braço que fica na parte central do habitáculo. Apesar de ser algo realmente útil em viagens longas, atrapalha consideravelmente na hora de puxar o freio de mão. É preciso fazer um pouco de malabarismo para realizar a ação.
Outro ponto que incomodou foi logo abaixo do volante. O motorista que tiver uma estatura superior a 1,75 m acaba raspando a perna no plástico próximo ao console. Isso pode acabar prejudicando algum movimento, além de causar certo aborrecimento, já que a toda hora a perna acaba encontrando no plástico do carro.
Por fim, acaba também sendo um incômodo, mas para o ouvido, o barulho do motor, que “vaza” para dentro do carro. A cada acelerada é possível ouvi-lo trabalhando com clareza. E nada com volume muito baixo. O próprio propulsor não é dos mais silenciosos, mas o que sobra para a parte interna do automóvel chega a incomodar um pouco.
Acabamento
Tudo bem, é uma versão de entrada do Focus, mas o acabamento infelizmente deixa a desejar. Plásticos na porta e no painel não dão aquele ar que todos gostam de ter em seu automóvel. Um carro com visual tão bonito, interior moderno (tudo bem, eu gostava mais da linha do modelo antigo, mas este está mais adequado aos dias de hoje) e confortável, merecia um acabamento melhor. Isso sem contar com o barulho de rangido na parte direita do banco traseiro. Se o porta-malas está bem carregado e duas pessoas estão sentadas no assento de trás, tudo bem. Mas basta ficar desocupado que o banco começa fazer barulho. É o famoso “grilo”, que, com o tempo, passa a incomodar bastante.
A borracha da porta traseira esquerda também já deu o ar da graça, ficando pendurada em duas ocasiões. A primeira vez em que abrimos o carro, antes mesmo de começar a carregar, a peça já estava pendurada. Em outra situação, durante a viagem, voltou a soltar.
São detalhes que a Ford poderia ter contornado para que o Focus pudesse ter um status um pouco melhor. Nenhuma das críticas sobre o acabamento acaba sendo grave, mas são pontos que poderiam ser vistos com mais cuidado pela marca do oval azul.
Sobre o desenho, a opinião de todos os oito viajantes (outro carro nos acompanhou) foi a mesma: aprovado. A Ford realmente acertou a mãos nas linhas inspiradas em sua geração Kinetic. E não foi coisa de primeira impressão: durante todo o Carnaval, choveram comentários do tipo “mas é muito bonito mesmo!”.
Resumo
Com a nova motorização 1.6 16V Sigma, o Focus precisa suar para conseguir um desempenho considerável na estrada, mesmo com o bloco sendo mais leve. Para um uso urbano, os 30 cv a menos em relação à versão 2.0 não fazem muita falta, mas quando o motor é exigido em estrada ou na serra, a diferença é sentida facilmente. Não chega a ser algo que prejudique a viagem ou faça o motorista ficar vermelho de raiva, mas você percebe que tem, ali embaixo do capô, algumas dezenas a menos de cv.
Nos aspectos gerais do automóvel, deixando o tema motor um pouco de lado, o hatch da Ford é muito bom. Dirigibilidade, conforto do motorista e dos passageiros, desenho, câmbio. Apesar dos pequenos poréns citados ao longo do texto, tudo isso é digno de aplausos.
Confira, abaixo, mais algumas imagens do Focus em sua primeira viagem:
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